Vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado faz sua primeira aparição pública
Na tentativa de chegar a Oslo, Noruega, a tempo de receber o prêmio, Corina teve que sair da Venezuela secretamente, a bordo de um pequeno barco de pesca.
12/19/20252 min ler


Na quinta-feira da semana passada, a líder da oposição da Venezuela e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, fez sua primeira aparição pública desde janeiro deste ano. Na tentativa de chegar a Oslo, Noruega, a tempo de receber o prêmio, Corina teve que sair da Venezuela secretamente, a bordo de um pequeno barco de pesca, em direção a Curaçao, uma ilha caribenha pertencente à Holanda situada a 65 km do seu país. De lá, partiu então de avião rumo à capital norueguesa.
Foram momentos de grande tensão que, por muito pouco, não terminaram em tragédia. Soube-se, nos últimos dias, que durante o trajeto Corina chegou a sofrer uma fratura numa de suas vértebras, lesão da qual ainda se recupera.
Apesar do esforço para comparecer à cerimônia, María Corina só conseguiu aterrissar em solo norueguês depois de encerrada a solenidade. Coube à sua filha Ana Corina Sosa Machado receber o prêmio em seu lugar, o que o fez com rara sensibilidade, emocionando a plateia. Ao ler o discurso primorosamente escrito pela mãe, Sosa denunciou o que chamou de "terrorismo de Estado" e dedicou a honraria aos "heróis anônimos da resistência". De apenas 34 anos, ela levou os espectadores às lágrimas ao falar da ansiedade em rever a mãe, após nada menos do que dezesseis meses separadas.
Mulher, mãe e líder ativista, María Corina Machado estava refugiada em lugar remoto e desconhecido em razão da cassação de seus direitos políticos por uma ditadura que persegue, prende e tortura opositores como ela. Recebeu o Nobel porque, segundo o comitê organizador, tem se destacado mundialmente como um farol de esperança e resiliência.
Corina realmente se tornou um exemplo a ser seguido em tempos de valores deturpados. Distorções estas que fazem com que certas militâncias até hoje a acusem de “golpista e agente imperialista”, só porque ela havia pedido, não sem razão, apoio internacional e dos EUA para ajudá-la a derrubar o regime sangrento de Nicolás Maduro.
Quando a atual Nobel da Paz foi sumariamente impedida de concorrer às eleições de seu país, apenas por representar uma voz contundente contra a ditadura de Maduro, esses mesmos disseram que a líder da oposição venezuelana não deveria perder tempo entre “lamúrios e choros”. Preferiam o silêncio de Corina, o que jamais ocorreu. Hoje, quem segue sem se manifestar, e de maneira constrangedora, são os que sempre a quiseram calada.
Boa recuperação, Corina. E que sejam asseguradas condições para que regresse ao seu país em paz. A democracia – ao menos qualquer regime que se pretenda democrático – depende de pessoas que, como você, se recusam a permanecer em silêncio.
